Na última sexta-feira, no AptaHub, em São Paulo, a Bispora celebrou três anos com dois lançamentos e uma conversa necessária entre quem raramente senta na mesma mesa.

Há três anos, a Bispora nasceu de uma pergunta simples de formular, mas profundamente complexa de responder: como transformar o que hoje é descartado em produto com valor real de mercado?
De lá para cá, essa pergunta saiu do papel e ganhou corpo: virou pesquisa, noites em laboratório, parcerias estratégicas, protótipos e a etapa mais desafiadora de todas — a validação de mercado e a conquista de clientes.
Na última sexta-feira, 28 de agosto, celebramos essa trajetória de três anos no AptaHub, no Instituto Biológico. Reunimos vinte pessoas presencialmente na sala e uma comunidade engajada acompanhando pela transmissão online. Não foi apenas um brinde de aniversário: foi uma tarde de trabalho, conexões reais e passos concretos rumo ao futuro. E a escala intimista daquela sala traduziu exatamente o nosso propósito.
Por que um encontro, e não apenas um brinde?
Construir uma deeptech — uma empresa cujo núcleo emerge da ciência de fronteira e exige anos de maturação até o mercado — é impossível de se fazer de forma isolada.
Uma deeptech depende da infraestrutura de laboratórios de ponta, de capital paciente e com fôlego longo, de institutos de pesquisa aplicados e de uma indústria verdadeiramente disposta a testar novas soluções. Cada um desses atores opera em uma frequência e fala uma linguagem própria. Não por acaso, boa parte dos gargalos que travam a inovação no Brasil reside justamente nos ruídos de tradução entre esses elos.
Por isso, o nosso encontro uniu no mesmo espaço:
O dinamismo do ecossistema do AptaHub;
As iniciativas do Sebrae estruturadas para deeptechs;
O modelo ágil de fomento e cocriação da EMBRAPII com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas);
E o time da Bispora.
A conversa mais estratégica da tarde foi direto ao ponto: financiamento e viabilidade. A EMBRAPII viabiliza projetos de P&D com recursos não reembolsáveis, tendo o IPT como centro credenciado de excelência para a execução técnica. Com aportes que cobrem de um terço a metade dos custos de projeto, sem a rigidez de editais com calendários fixos e com negociação aberta de propriedade intelectual, esse modelo preenche a lacuna que mais aflige o cientista empreendedor: não a qualidade da ciência, mas o mapa de em qual porta bater.
Dois marcos para o ecossistema: nossos lançamentos
Celebrar três anos também significou entregar novas ferramentas para fortalecer a ponte entre laboratório e mercado. Durante o encontro, realizamos dois lançamentos:
1. Fronteira Circular — O podcast oficial da Bispora

Estreou no palco e já está disponível em nosso canal no YouTube. Trata-se de uma série de conversas quinzenais, diretas e com até 20 minutos de duração, dedicadas a dissecar a jornada da bancada ao mercado: quem financia, quem regula e quem compra.
O episódio de estreia reúne Daniela Droppa, Carlos Foz e Raúl Bonne Hernández em um debate indispensável sobre os caminhos e desafios da deep tech brasileira.
2. B360 — Plataforma de Inovação Aberta e Corporativa

Uma plataforma criada para encurtar a distância entre dores reais do setor produtivo e tecnologias prontas para responder a elas. Empresas publicam suas demandas de P&D, startups submetem soluções e a curadoria se mantém próxima de quem tem a necessidade real. A plataforma está no ar em versão beta, disponível mediante convite.
Da nossa bancada para o mundo: a Biomembrana B5.0

A tarde também foi marcada por demonstração tecnológica ao vivo. Apresentamos a Biomembrana B5.0, nosso recobrimento para painéis solares desenvolvido a partir da quitosana (extraída da quitina de cascas de crustáceos, resíduo nobre da indústria pesqueira).
A inovação permite que módulos fotovoltaicos sejam limpos apenas com água, preservando a camada protetora e aumentando a eficiência energética.
Maturidade Tecnológica: Em nível TRL 5 a 6 (validada em ambiente relevante);
Validação em Campo: Estudos iniciados no fim de 2023 com testes conduzidos em parque solar, comparando grupos de controle e painéis tratados;
Diferencial Competitivo: Enquanto alternativas globais utilizam compostos sintéticos de base fóssil, a B5.0 é biodegradável, segura e 100% de base biológica.
O próximo passo é a certificação em escala industrial — e é exatamente para esse estágio que estamos abrindo diálogo com novos parceiros e investidores.
E sim, teve bolo
Porque grandes marcos merecem celebração. Tivemos bolo, lembranças especiais para quem esteve conosco e um happy hour descontraído no final da tarde — aquele momento em que as conversas continuam sem protocolo e onde, invariavelmente, nascem os projetos e alianças mais duradouros.
Rompendo limites na era das deeptechs
Três anos pode parecer pouco tempo no ciclo longo de uma empresa de base científica, mas é uma jornada monumental para quem esteve na linha de frente fazendo ciência de ponta, desenvolvimento de produto e abertura de mercado simultaneamente.
O maior aprendizado que acumulamos até aqui é que o limite raramente é técnico: ele é de diálogo, de alinhamento de expectativas e de conexões que deixaram de ser feitas. Na última sexta-feira, em uma sala com vinte mentes brilhantes — e um bolo —, nós construímos mais algumas dessas pontes.
Agradecemos imensamente a todos que compartilharam essa tarde conosco, presencialmente e online.
O primeiro episódio do Fronteira Circular já está disponível. Venha construir essa fronteira com a gente!